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A vida nômade não é perfeita! Coisas que ninguém te conta

Pode confessar: – quando o assunto é nomadismo digital a imagem que vem na sua cabeça é de alguém sentado na beira da praia ou piscina com o seu notebook passando uma imagem de trabalho e lazer, certo?

Essa é a imagem que a mídia ou alguém tentando vender essa ideia sempre usa para angariar os mais desavisados. Mas em algum momento você já pensou em usar um notebook na praia? Tem areia, sol, maresia em excesso e nenhuma tomada! Inclusive a internet deve ser bem oscilante, e por mais que eu ache bem divertido montar meu escritório em cada novo lugar que passo, devo ser sincera e dizer o quanto esta imagem idealizada é totalmente distante da realidade.

Meu nome é Danny Truffi e se você está chegando por aqui agora, devo dizer que este é o podcast do portal We Go, um espaço de experiências compartilhadas, onde pretendo contar um pouco sobre as barreiras que temos de enfrentar na vida, ouça para que você possa romper as suas próprias barreiras, vem com a gente vai ser mais leve garantimos!

Voltando a fotografia , é óbvio que essa foto das pessoas trabalhando na praia com o notebook no colo e os pezinhos cruzados não passa de uma licença poética para vender um sonho de liberdade. E é justo, mas a realidade é um embate entre emoções, sonhos e conquistas. Nessa vida nômade cada caso é um caso. Ou seria cada caso é um caos?

Calma, não se desespere. Se você ainda planeja e estuda sobre nomadismo digital então deve refletir sobre alguns pontos importantes que precisam ser levados em consideração.

Aqui no podcast We Go eu passo muita informação sobre o meu dia a dia e toda a rotina que envolve a família, criação de filhos e o trabalho, que eu gerencio remotamente e às vezes eu temo passar a imagem de uma família propaganda de margarina, vida perfeita e otimismo tóxico.

Quando escrevi o Podcast sobre meu conto de fadas nômades fiquei com muito receio de colocá-lo no ar…tive medo de que as pessoas pensassem que eu queria pregar aquela vibe de basta sonhar, basta ser positivo, basta imaginar que tudo acontece e sei bem que não é bem assim, são muitos os desafios, na minha vida e na minha experiência, sim valeu e vale a pena pensar positivamente e ter gratidão, no entanto não é só isso que basta não….

Tem que planejar, tem que soltar as amarras e tem que deixar fluir, em meio ao sonho tem todos os impasses da vida como outra qualquer, o esforço é muito grande para fazer as coisas todas acontecerem e sim, nunca deixo de pensar no tamanho do privilégio que tenho, e é claro este privilégio é com certeza o que mais me faz poder sonhar..

Então o que quero colocar aqui é um pouco daquilo que não é perfeito e o que não é perfeito tememos que não seja vendável, mas como este é um espaço de experiência compartilhada e expressão da alma, devo aqui trazer os percalços no meio do caminho.

A fim de contextualização contarei um pouco do surgimento de deste Podcast e também de meu relacionamento com as vidas perfeitas contadas no Instagram

Parte da minha história junto a este nomadismo foi romper estas novas barreiras.
Antes disso tudo faziam mais de 7 anos que havia abolido de minha vida as minhas redes sociais. Nenhuma delas habitava em mim, fechei o facebook, nunca tive Instagram , nem twitter e o último foi eu deixar o Whatsapp…sim até hoje não temos Whatsapp. E isso sempre foi um conforto para a minha alma, sempre foi tranquilidade para os meus dias, sempre foi o que traz para mim o que tem de essencial na minha vida, pois sem tudo isso eu conseguia surfar uma outra onda e não participava das desavenças e conflitos que a maioria dos terráqueos vivenciavam em suas rotinas navegando nas redes sociais, eu simplesmente vivo com o básico de informações que chegam até mim. Da vida perfeita dos meus conhecidos, eu nada sei, só sei o que eles próprios me contam e enxergo o que vivenciamos juntos nos encontros ao vivi. Neste meio tempo, confesso que, perdi informações importantes de alguns grupos, me senti fora de algumas conversas e perdi algumas festas que os convites eram enviados pelo Whatsapp, no entanto, não trocaria essa liberdade de acessar a vida perfeita contada nas redes sociais,, pois percebi que o essencial sempre chegava. Os convites de quem queria a gente de verdade chegava até nós de alguma forma, as piadas de quem queria rir conosco chegava também e vira e mexe alguém me envia fotos da família, pois sente necessidade de compartilhar exatamente comigo aquele momento, ja que nao tenho as outras formas de saber disso. Meu conhecimento acerca da vidas pessoas tem uma outra dimensão. Às vezes descubro que alguma amiga tem três filhos somente após o nascimento do terceiro, mas o que aprendi é que é só ter paciência, que de algum jeito, a informação que deve chegar sempre chega.

As amigas queridas fizeram grupos pelo SMS e muitos descobriram que o antigo aplicativo de mensagens ainda funciona, e assim eu me mantinha e me mantenho dentro de minha própria concha sem ter de acessar ao todo momento a vida perfeita das pessoas amadas.

Mas, tudo isso tem desafios e o que quis contar até aqui é que não acredito em vidas perfeitas e que mesmo a minha de viajante por mais que as vezes pareça linda, tem inúmeras complicações.

Quando resolvemos ter esta vida de viajante percebi que junto com isto outros afazeres deveriam vir no pacote e daí tendo de fazer novos contatos todos os dias não dava para pedir a todo mundo, a todo momento que entrassem em nossa concha e voltasse a utilizar o SMS só desta vez para falar conosco. na verdade, percebemos que isto atrapalhava a fluidez de tantas negociações que tínhamos de fazer no decorrer de nosso dia dia.

E foi então que tivemos de ter acesso a um Whatsapp. Compramos um chip e colocamos em um celular antigo, e todos nós, da casa, utilizamos este mesmo celular para as facilidades comerciais que necessitam de contatos mais diretos e síncronos. Confesso que sim, nos trouxe muita facilidade e dinamismo nas comunicações, porém ainda não tenho vontade de ter meu whatsapp particular e participar das grandes comunicações dos grupos que se formam nestes canais de comunicação.

E, já que este é um podcast de rompimento de barreiras acima de tudo, acho que vale dizer a grande barreira que tive de vencer e foi esta de voltar a ter um Whatsapp mesmo que comercial.

E, depois com a chegada deste sonho de ter um Podcast tive de romper com a barreira de mostrar a cara pelas redes sociais, pois seria muito difícil divulgar meus áudios de outra forma. Me lembro ainda hoje quando gravava o quinto episódio, contei ao meu irmão e mostrei o Instagram do projeto com 5 Posts e ele logo falou: e aí vai romper a barreira de voltar a ter redes sociais?

Fiquei encafifada com aquilo…pois temia este momento, como não mostrar a vida perfeita que todo mundo mostra mas mostrar parte da realidade também. Ao mesmo tempo fiquei feliz, pois ele tinha entendido a essência do projeto: romper barreiras.

Meu sonho era ser podcaster…eu amo ouvir podcast, foi com este formato de arte, e pra mim é uma arte mesmo, que me ajudou a ter mais disciplina em algumas coisas de minha rotina que necessitavam de mais atenção, então eu ouço podcast para limpar a casa, lavar a louça, dirigir por muito tempo e ouço para correr. Os Podcasts me colocam em um outro estágio e me levam a esquecer das dores daquilo que tenho de fazer, já que o que mais me dói de verdade é ter de me concentrar por muito tempo em algo.

Como comentado no episódio 31, meu conto de fadas nômade, tenho uma questão com a concentração, digamos que a minha concentração não seja lá essas coisas, então o Podcast veio como meu aliado. Aos longos de minhas descobertas e autoconhecimento, eu entendi que a minha mente precisa sempre de dois focos de concentração para que eu consiga realizar algo, então preciso me atentar que quando uma tarefa exigirá muito de mim eu preciso descobrir qual a outra coisa que também me traria a presença inteira e necessária. E assim, em meio a descobertas as pessoas me diziam, “nossa eu ouço música para tudo assim consigo fazer as coisas, as músicas me animam”, para me exercitar arrumar a casa e eu tentei muitas vezes fazer isso, mas a minha mente sempre ia na direção oposta, quando eu colocava música por exemplo eu me pegava muitas vezes parada ouvindo apenas a música e tentando entender aquilo que a música dizia e na hora que me dava conta estava lendo um livro ou buscando na internet algo que me trouxesse mais sobre aquela música.

Certa vez foi bem engraçado, pois entendi que deveria mudar o estilo de música que ouvia e passei a ouvir músicas clássicas, já que elas não contêm palavras não iriam me levar para muitas buscas de mais informações e quem sabe aquilo me traria mais concentração e, no final das contas…aconteceu o inesperado, no final daquela semana eu estava sentada no sofá com um livro da biblioteca que chamava: “como ouvir música clássica”. De tanto ouvir e não entender eu passei a buscar como eu iria ouvir e entender o que estava acontecendo naquele barulho que saia pela caixa de som, e foi assim que entendi um pouco do universo deste tipo de música e acabei sabendo que Beethoven foi inspirado pelo sentimento que surge no coração quando a ideia da morte se aproxima para compor a famosa sinfonia do destino.

E então me dei de presente uma coleção de CDs, na época eram cds que contavam um pouco dos grandes nomes da música clássica e junto com estes cds haviam livretos que nos ensinavam como ouvi-los, e daí descobri também que a atenção quando ouvimos música clássica deve estar voltada, não só na melodia mas principalmente na entrada de cada instrumento no decorrer da composição tocada.

Me perdoem os bravos, pois meu conhecimento de profundidade está bem longe de ser a composição de músicas clássicas. Mas o final da história é que a música definitivamente não me ajudava a ter a concentração que buscava e necessitava.

Por fim , então notei que como reu precisava de dois focos de atenção já que as músicas não me ajudavam, eu certo dia resolvi ouvir podcasts…como já fui psicóloga de cadeia, minha atenção aos crimes sempre foi voltada e assim, descobri o Podcast do caso Evandro do Ivan Mizanzuk e foi especificamente este Podcast que me ajudou a alcançar meus primeiros 10 Km de corrida de rua. Pessoal em casa dizia o quanto eu era maluca, onde já se viu, ouvir podcast de crime enquanto corre? Mas foi o crime do caso Evandro que me tirou daquela sofrência interna de lidar com a própria cabeça durante uma corrida, e claro, hoje ainda ouço Podcast para correr, mas já não sofro mais tanto assim.
Aos poucos fui percebendo que os Podcasts poderiam substituir tranquilamente os remédios para concentração, e hoje em dia consigo até escrever ouvindo Podcast, e assim caminho, realizando meus feitos somente diante de duas grandes concentrações estando juntas.

Vocês ainda devem estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o intuito deste episódio, que na verdade era contar um pouco da vida não perfeita de nomadismo e, pode deixar que eu chego lá….

Voltando a estaca zero, onde eu já manifestei o meu amor profundo ao Podcast devo dizer que em meados da minha vida nômade resolvi compartilhar isso tudo através de um Podcast. Entendi isto como uma forma de deixar a minha marca no mundo de uma forma que conversasse com a minha alma, pensei também que esta seria a maneira como eu continuaria expressando minha marca e que este projeto não deveria terminar com apenas experiências nômades, mas como minha historia é bem marcada por grandes rompimentos de barreiras, a minha ideia era a de falar sobre estas barreiras, contando a minha experiência e depois trazer a história de outras pessoas também, mas isso vou deixar para falar em minha segunda temporada de episódios.

O que quero trazer aqui é que quando olhamos no Instagram e me as fotos lindas dos viajantes nas redes sociais ficamos ali pensando naquela vida perfeita que aquela pessoa tem, ficamos ali pensando o quão maravilhoso deve ser ter que ter aquela liberdade toda, e eu de certa forma acabei fazendo isto também, pois o instagram tem de estar bonito e os episódios do Podcast são marcado pelas belas experiências. Porém como sou contra esta retórica da vida perfeita prometo pra mim mesma que trarei mais verdades acerca do que se passa por aqui em minhas experiências nada perfeitas de viajante. Este é um manifesto contra este merchan todo de positivismo tóxico e de plantar a perfeição para ser comprada, eu resolvi falar um pouco dos desafios que encontramos pelo caminho quando estamos nômades e viajantes e acima de tudo convido você ouvinte que reflita sobre a perfeição que conta pra si mesmo de sua vida e quais coisas quer gritar por aí e dizer que nem tudo esta tão belo!

Mas seria interessante destacar cinco pontos que acredito serem bem importantes.

1- Todos precisam estar de acordo

Meio óbvio, mas necessário. E todos os pontos precisam ser levantados: desapego, convivência, distanciamento da família e amigos, vida financeira, rotinas, minimalismo e por aí vai. Pois agora, o mundo será a sua casa. Se você for viver o nomadismo em família, casal ou até mesmo sozinho: todos precisam estar de acordo.

Se você for viajar sozinho, mentalize bem se é isso que o seu coração, a sua alma e a sua mente precisam. Ou seja, você precisa estar de acordo com o seu eu bem lá no interior.


2 – Deixar conquistas materiais para trás?

Quando você opta por viver o nomadismo, uma das coisa que precisa interiorizar é: Menos é mais. E isso leva a outro caminho: precisarei vender as minhas coisas? O nomadismo ensina que o minimalismo é essencial e com o tempo você descobre isso.

Nós vendemos e desapegamos de todas as nossas coisas. Fizemos um baita bazar, conto sobre isso no segundo episódio do podcast “Destino Bahia: O início da jornada”.

Mas são tantas variáveis nesse ponto. Muita gente leva tempo para conquistar algo, mesmo que sejam apenas “coisas materiais” para quem está de fora. Mas para você, talvez seja importante. Você sabe o quanto teve que trabalhar e se sentiu vitorioso ao comprar aquela tão sonhada cafeteira ou uma air fryer ou talvez uma tv gigante. E fica se perguntando: e se nada disso der certo? Como faço para comprar tudo novamente?

Essa é uma barreira que você precisará enfrentar e discutir muito com os seus pares dessa jornada ou mesmo consigo. Podem existir algumas saídas como deixar na casa de amigos, dos pais ou em depósitos.

Mas deixar as suas conquistas para trás não é fácil e precisa de muito tempo de reflexão.

3 – Dinheiro é importante

Sim! Por mais desapegado que você seja, saiba que vai viver sem lar e talvez em um país distante ou em outro estado.
Lembre-se de levar em consideração todos os gastos que serão fixos: moradia, transporte e alimentação e ter dinheiro reserva para imprevistos.

4 – Você consegue viver junto o tempo todo?
Se você estiver viajando em casal ou com filhos é importante ter em mente que estarão uma boa parte do tempo sempre juntos. Falei muito sobre isso no episódio: Vida Nômade: Quando é hora de separar.


5 – Tempo de Jornada
Esse é um ponto importante. Quanto tempo você consegue viver longe dos seus mais queridos? Quanto tempo você consegue estar junto, seja com o marido, noivo, namorado ou até mesmo um amigo? Trocando de cidade, estado ou país a cada intervalo de tempo?

Todo mundo precisa de um tempo sozinho para se reconectar. Acho que ninguém fala sobre isso. A vida nômade é como uma banda de rock, que viaja pelo mundo fazendo shows: a próxima parada é a sua casa até a próxima parada.

Então é necessário pensar o tempo, seja de estadia em determinados locais, para que você possa experimentar esse local como um verdadeiro morador e não um turista E também pensar o tempo de toda a jornada ou até mesmo do convívio com os seus parceiros de aventura.
Esse planejamento não precisa ser algo fixo e uma lei, mas que seja ao menos previsto em seus planos, para que não fique desgastante fazer planos e escolhas de destinos tão em cima de hora.


Conclusão
São tantas coisas que aprendi vivenciando um anjo de nomadismo, que eu poderia ficar horas debatendo sobre o assunto. E trazendo experiências diversas. Porém trouxe apenas cinco das quais acredito serem as mais relevantes. Se você ouvir os episódios que cito nesse podcast, tenho certeza que eles trarão mais luz para as suas perguntas.

Ouça o PODCAST desse texto

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