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Como viver uma vida nômade em família

O modo de vida nômade já figurou na literatura e ganhou as telas do cinema com o filme Nomadland, inclusive ganhador do Oscar 2021.

Porém, como no filme, muitas angústias e a solidão são retratados como algo intrínseco aos adeptos desse conceito de vida.


Acredito que cada pessoa terá o seu motivo para ganhar o mundo e viver a sua própria experiência de aprendizado e libertação. Pois essa é a chave de uma experiência única e transcendental: libertação.


Então não podemos em hipótese alguma generalizar o ter como base personagens X e Y de um filme documentário ou alguns livros.


A nossa experiência para uma vivência nômade baseia-se em alguns pilares, entre eles: aprendizado, descobertas, união, autoconhecimento e resiliência.

Estamos há mais de nove meses na estrada, e vivendo uma aventura sem precedentes em nossas vidas. Cruzamos o litoral brasileiro de carro, no meio da pandemia, porém com todos os cuidados e protocolos seguidos à risca: distanciamento, máscaras e a higiene necessária.


Nossa trupe é composta por três adultos, duas crianças e dois gatos. Ou seja, são sete seres vivos em uma vida que mesmo planejada meticulosamente, pode muito bem sofrer experiências adversas.


Então, como gerenciar isso tudo? Toda a parte de negócios, família, educação, alimentação, saúde e gastos/despesas do lar?


Precisamos deixar em mente, que não estamos “turistando” e sim vivendo uma experiência singular em nossas vidas e até mesmo nova em uma sociedade moderna em pleno século 21.


No decorrer de nossa experiência, percebemos que o projeto de viver uma vida nômade deve ser compartilhado com todos os envolvidos, de forma que o planejamento, preferencialmente deve contar com a participação de todos, já que em um estilo de vida assim necessitamos do empenho do grupo como um todo.

Alguns pontos devem ser levados em consideração aqui, como disse anteriormente, a nossa vida nômade não é uma vida de turista, procuramos manter a rotina como se estivessemos em uma casa fixa, de forma que, os trabalhos, estudos, desenvolvimentos pessoais, exercícios e alimentação sejam mantidos mesmo que o espaço geográfico seja alterado.


Além disso, os custos financeiros para viajar a passeio são infinitamente maiores do que quando se decide adotar o nomadismo como estilo de vida. No nosso caso, o plano é gastar o mesmo ou menos do que se estivéssemos em uma casa parados.

Passando um pouco mais sobre a nossa vida por aqui, organizamos a rotina da seguinte forma: Nosso trabalho como já dito em vários episódios anteriores, ele é 100% remoto, então nossa rotina profissional já está adequada para este fim, de forma que, todos os envolvidos em nosso trabalho já sabem desta nossa particularidade, assim todas as contratações e reuniões acontecem de forma virtual.

No que se refere a rotina dos filhos a vida segue da seguinte forma, temos um filho já adulto que vem desenvolvendo trabalhos pela internet também, ou seja ele atua dando aulas de forma remota, sendo assim, o trabalho não é um empecilho para ele quando falamos de mudanças, pois ele continua atuando da mesma forma.

Quanto as crianças mais novas, elas realizam aulas e atividades online. Assim, estudam em cima de projetos de pesquisas a fim de aprofundarem o conhecimento naquilo que desperta maior interesse a elas, além disso, têm aulas de português e inglês, ballet e yoga. Todas estas aulas são remotas.

Quanto a nossa rotina de saúde e alimentação

Somos vegetarianos por amor aos seres vivos e consideramos que esta também é uma forma de manter a saúde em dia. Como forma de nos exercitar, corremos com disciplina, treinamos três vezes por semana religiosamente,de forma amadora, porém com dedicação em cima de cumprir as planilhas de treino passadas por um treinador isto falando dos adultos, jogamos beach tênis quando possível e frescobol nas horas vagas. As crianças, como dissemos, praticam as aulas de ballet e yoga remotamente e levamos elas para caminhar ao menos três vezes por semana. No mais, fazemos atividades como forma de lazer mesmo, como as trilhas por exemplo.


Acho que quando falamos de saúde também cabe aqui ressaltar que procuramos construir nossas redes de apoio, de forma que, realizamos exames periódicos e consultas de rotinas via internet e/ou nos grandes centros que passamos. O mesmo vale para dentista, assim conforme vamos andando vamos buscando referências e fazendo as consultas e os atendimentos com os profissionais que cruzamos pelo caminho. O que tem sido de fato um rompimento de barreira, pois éramos acostumados com os atendimentos sempre das mesmas pessoas, e de repente estamos em uma situação, da qual temos de confiar em nossa intuição e nas pessoas que realizam nossos atendimentos. E quer saber? tem sido incrível, temos conhecido profissionais ótimos e aprendemos que gente pronta para ajudar pertence ao ser humano e ao convívio social

Além disso, todos nós fazemos terapia para autoconhecimento e as nossas terapeutas já conhecem nosso estilo de vida e também nos atendem virtualmente.


As finanças


Está aí uma outra barreira enorme que tivemos de romper. Já fomos endividados, ferrados e lascado, já pagamos altos juros aos bancos e já fizemos empréstimos malucos para cobrir buracos financeiros desenfreados. Após isto tudo, fomos estudar. Nos endividamos mais um pouco para contratar um consultor de finanças familiares para que aprendêssemos sob orientação de alguém que manja da coisa e nos auxiliasse em como sairíamos do buraco o qual havíamos nos metido.


Enfim, foram dois anos de aprendizagem, disciplina e mudanças de hábitos para que conseguíssemos sair dos juros absurdos e também pudéssemos liquidar as dívidas para que aí então podermos voltar à liberdade financeira de forma mais consciente e organizada.

Após o sufoco e a aprendizagem, aprendemos a controlar e a usar nosso dinheiro. Isto ensinamos aqui dentro de casa. Temos uma planilha de gastos e controlamos semanalmente em reunião familiar. Além disso, os investimentos são discutidos e decididos em conjunto.


Para nosso controle, temos uma planilha bem completa e orgânica que vamos alterando conforme vamos mudando nossos centros de custos. Quando resolvemos viver viajando alteramos as linhas da planilha para os gastos que teríamos com este estilo de vida, e ao contrário do que se imagina, vivendo de forma nômade nossos gastos são inferiores ao de uma vida fixa. Podemos falar mais detalhadamente sobre isso em outros episódios e até disponibilizar a nossa planilha se alguém se interessar.

Nomadismo na pandemia

Acho que para finalizar a pauta deste episódio, vale abrir um parênteses e dizer um pouco sobre o nomadismo na pandemia.


Pois, obviamente, tivemos de alterar drasticamente os nossos planos, de forma que, as experiências gastronômicas são quase inexistentes para nós, e os passeios são altamente restritos, e isto não estamos falando porque os locais estão fechados, mas porque entendemos que neste momento, quanto menos nos deslocarmos melhor é para quem precisa estar na rua para trabalhar ou para se cuidar e para que os responsáveis consigam enxergar melhor o que está acontecendo com o país e o mundo. Desta forma, por exemplo, alugamos um apartamento no Ceará e passamos 95% do nosso tempo dentro de casa, utilizando as áreas permitidas do condomínio e frequentando a praia apenas para esportes.

Havíamos planejado ficar um mês em cada estado e viajar aos finais de semana quando possível, no entanto isto mudou bastante. As viagens dos finais de semana nunca aconteceram por motivos óbvios e estamos há quatro meses no Ceará, o que seria um virou quatro meses, e ainda não conhecemos nenhum local além da praia próxima de onde estamos.


Estamos aguardando as coisas se acalmarem um pouco para que possamos continuar nosso rumo sem colocar a nós e aos demais em risco.


Vale lembrar que nossa ideia era conhecer pessoas mundo afora, e isto na pandemia é algo que não temos feito também, como não saímos de casa acaba que não temos tido a possibilidade de novos relacionamentos. Esta parte toda afeta não só os adultos mas muito mais as crianças, no entanto entendemos que esta é uma fase e que esta dificuldade não é só para os nômades e nossas crianças mas sim do mundo todo, neste momento.

Enfim, este são pequenos pontos levantados deste tema, mas é algo que renderia um episódio inteiro, então, quem sabe falamos com mais profundidade sobre isso em algum momento, só não queria deixar passar batido por agora.

Estes são alguns pontos que listamos aqui e que gostaríamos de deixar descritos para que outras pessoas possam se inspirar e entender que muitas barreiras aparentemente intransponíveis podem ser rompidas e todos nós temos plenas condições de viver as nossas vidas à nossa maneira. Basta pensar em como alterar o paradigma e mudar o rumo antes certo para algo diferente e mais próximo a sua alma.

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escute o We Go

We Go Rompendo Barreiras é um projeto de experiências compartilhadas a partir da vivência de uma família nômade, que vendeu tudo e saiu viajando pelo Brasil.

A jornada seguiu inicialmente sem muito planejamento. E foi com a cara e a coragem que resolveram viajar trabalhando em lugares diferentes. Passam a maior parte do tempo trabalhando, estudando e se desenvolvendo intelectualmente.